
Não sei de que cor se veste o teu sorriso
Nem a forma verbal como o descrever
Mas sei que o tempo é mais que perfeito
Quando o meu olhar se conjuga com o teu
E o teu sorriso sorri para o meu.

Não sei de que cor se veste o teu sorriso
Nem a forma verbal como o descrever
Mas sei que o tempo é mais que perfeito
Quando o meu olhar se conjuga com o teu
E o teu sorriso sorri para o meu.

Perdi sonhos
Encontrei caminhos
Escolhi sentidos
Destinos descomprometidos
Que me levaram a fazer amigos
Inventei lugares
Entre fases de luares
Chorei mágoas
Vivi difíceis despedidas
Costurei feridas
Plantei flores
Alimentei amores
Recomecei sempre que errei
Escrevi palavras que criei
Tremo a cada respirar
Amadureço por tanto te amar
Empresta-me um pouco de ti
Guardarei no melhor de mim
…Talvez a vida se viva assim…

Pouso o silêncio
Calam-se as palavras
Ouço o eco profundo
Que transporta o pensamento
E agita o corpo como o vento
No desnudar da minha pele
Surge um grito de chamamento
Um apelo a descobrir
O rasgar que vem de dentro
O que o olhar não consegue ver
Apenas a alma no seu entender
Dá a conhecer,
Serei eu capaz de te mostrar?

A vida passa pela espessura
Que cobre as paredes dos dias
O tempo espreita pela ranhura
Por onde os anos atravessam
Levando as horas pelo caminho,
E neste vai e vem constante
Esvoaçamos como pássaros
Num bater de asas
Contra a corrente do tempo
Para quebrar a fechadura
Levantar voo e voar
Criar pouso e repousar!

Se eu soubesse da tua visita
Tinha pedido ao sol para brilhar
Às flores para desabrochar
E em vez do meu vestido de chita
Cobria-me com a tua cor favorita.
Se eu soubesse da tua chegada
Tinha escondido o rosto da saudade
Para que me pudesses ver de verdade
E em vez de a casa estar vazia e fechada
Ousaria estar iluminada e perfumada.
Ainda assim, queria que soubesses
Que o meu olhar não para de brilhar
O coração atropela-se para te abraçar
Feliz por teres voltado ao lugar
Onde um dia o amor nasceu para amar.

Adormeci a ver a lua
No silêncio do luar
Acordei naquela fase
Que o coração se estende pelo quarto
Com o desejo de te encontrar.

Vejo-te a enrolar as ondas do mar
Sinto-te a assentar a poeira do ar
Escondes-te no meu cabelo
Que cede ao teu rodopiar
Esvoaçando para te agasalhar.
O meu corpo apega-se ao respirar
Do sopro que cai na minha pele
Toca nos poros até os arrepiar
Cruzo o meu olhar com o teu pensar
Nesse vai e vem constante de viajar.
És brisa
Levas as memórias que o tempo apagou
Liberto-me no aroma da tua aragem
Ganho leveza na minha bagagem
Agarro a vida que ainda não passou…

A cidade amanhece
O silêncio que a cobria desaparece
Abrem-se as portas
Para mais um dia de memórias
Relato vincado pelos rostos
Que cedo carregam no tempo
O compromisso de vestir a missão
O ofício que preenche o coração.
A cidade amanhece
O azul do céu timidamente aparece
Descobre-se a traça
A fachada que guarda as histórias
O som dos passos madrugadores
Que corajosamente abrem a rotina
A vontade de não perder a construção
Que une o sonho e a razão.
A vida acontece
Em cada olhar que amanhece…

Amanhã será tarde
Não quero adiar o que trago no peito
Não quero guardar a luz dos dias
Nem esconder o olhar que traduz alegrias
Quero preencher este coração pulsante
Nem que seja por um instante
Dar corda à vida que sustenta este meu jeito
Sentir que o tombar das horas é um destino perfeito.
Amanhã será tarde
Serei levada com o vento
Deixarei as palavras sem movimento
Serei abrigo para a escuridão
Num tempo que escorrega com exatidão
E cai no meu corpo que vagueia sem pensamento
Porque o hoje se perdeu deste momento
E resgatou todos os sentidos para outra dimensão.
Não quero deixar cair o olhar
Nem perder a lucidez de amar
Nesta vida que acolhi
De alguém muito especial a recebi.
Porque amanhã será tarde…

Se os nossos abraços
Se abraçassem
Se os nossos olhos
Se olhassem
Se as nossas mãos
Se tocassem
Se as nossas palavras
Se ouvissem
Se as armas
Se calassem
Se os povos
Se respeitassem
Se a inocência
Não se perdesse em violência
Se a verdade
Não se vestisse de desigualdade
Se a vida
Se vivesse em liberdade
Talvez o medo
Se dissipasse
E o mundo
Se amasse…
… Em paz