Tempo de Afetos

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Os dias vão tombando
uns a seguir aos outros
até caírem no findar
do ano prestes a terminar.

Temos dezembro a festejar
o aconchego da família e do lar
a época do Natal para vivenciar
e os afetos para desembrulhar.

Escasso o tempo que passa
por entre as ruas de multidão
rostos agitados e apressados
correm os dias em plena agitação.

São horas de comprar os presentes
criar laços de luz e de amor
não deixando o coração sofrer pela dor
da saudade pelos que já não estão em redor.

O olhar abraça com brilho a tradição
a importância de dar e receber com gratidão
saborear a felicidade de manter a união
viver de verdade dando tempo a esta estação.

Os dias continuam a tombar
e este ano está prestes a terminar
dando tantos outros dias
ao novo ano que irá começar.

O melhor presente que podemos ter
é sonhar que cada dia seja vivido
com essência e autenticidade de ser
de mãos dadas com o tempo para não o perder.

Este meu jeito…

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Persegue-me este meu jeito
que se esconde e se mostra
sorri sem preconceito
respeitando este meu modo de ser
imperfeito, mais que perfeito,
que segue sempre comigo
inteiro,
desde o amanhecer até ao entardecer.

E, no espaço que sobra em mim,
escuto e escrevo silêncios
que me saem do peito
e assim toco na vida,
inspiro a felicidade para dentro de mim
vestida com este meu jeito…

… a ver o mar …

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Perdi o olhar a olhar para o mar
de tanto imaginar até onde me poderia levar
quantas marés a minha alma irá vivenciar
quantos luares a minha janela irá encontrar.

Quantos segredos pedi ao mar para guardar
quantas noites adormeci com o seu embalar
tantas vezes sonhei que me vinha buscar
cúmplices na vontade de partir e voltar.

Sinto o olhar a olhar para o mar
satisfeito de tanta beleza contemplar
quantos medos pedi ao mar para afogar
quantas lágrimas enxuguei a ver o mar.

O olhar da chuva

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Não sei se será o frio
ou talvez o arrepio
que faz ventar o dia
e alimenta a correria
da chuva que cai sem parar
e na terra se vem abrigar.

É o céu que silencia
o barulho da chuva que não finda,
gota a gota, mudam os odores
e a beleza que acolhe a natureza
veste-se de olhares e novas cores,
além da chuva que cai ainda…

Dizem que…

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Dizem que …
Amanhã é longe demais.
A escolha do caminho
por onde vais
é o cruzamento entre o presente
que se vê, vive e sente
e um tempo ainda ausente,
dito importante,
embora distante
dos pensamentos reais.

Dizem que ….
O futuro é um tempo inseguro,
talvez prematuro,
difícil de alcançar
e que só no hoje devemos pensar!

Dizem que …
O hoje vai de norte a sul
e que o coração aprende a viver
onde mais gosta de se ver.
Um presente
que, ao acaso, rasgamos para ter.

Dizem que…
O hoje está perto
e acolhe os sentimentos no momento certo.

Dizem que…

De dentro de mim…

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Solta-se de dentro de mim
a aurora que desperta o dia,
que desamarra os segredos
guardados pela pele,
enquanto dormia.

O rosto pousa silenciosamente
o olhar no espelho
e sacode o retrato,
ainda um pouco desarrumado,
vestindo, apressadamente, o tato
para compor a figura,
não querendo mostrar amargura.

Solta-se de dentro de mim
um pouco de ingenuidade,
um sorriso que toa a verdade
e a voz, até então guardada,
respira, enchendo-se de vaidade.

Solta-se de dentro de mim
um esvaziar de palavras
que se entregam ao dia
e, assim, vivo…

Talvez o outono…

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Se o outono soubesse
que o meu coração entristece,
tal como o dia escurece
e que o meu corpo rodopia
tal como o vento assobia,
talvez o outono quisesse
levar-me como uma folha
num voo que só ele conhece.

Se o outono soubesse
que a minha alma engrandece
sempre que o sol aparece,
e que a minha pele floresce
tal como a vida cresce,
talvez o outono pudesse
despir o olhar que esmorece
reavivar a memória que envelhece.

Entrego-me ao outono
como se ele soubesse
de mim… Talvez

Como um livro de poesia

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O corpo ainda se enrosca a dormitar
já as palavras começam a pestanejar,
cúmplices com a vontade de despertar
o olhar que se vai estender a outros olhares,
escutando o silêncio
com que a vida vem beijar
o dia que se inicia…

…Por entre as mãos voam segredos
que o tempo molda e acaricia,
e o dia abre-se à vida
como um livro de poesia.

Ao sabor do vento…

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A cortina abre-se
convidando o vento a entrar
a espreguiçar-se no meu acordar
a inspirar a ingenuidade da alma
e a decifrar a nudez do corpo
que respira cada movimento
como se a pele fosse abrigo
de todas as sensações…

A cortina abre-se
rodopiando na janela entreaberta
o ar pousa em todos os sentidos
acentua-se a vontade de te ver chegar
de saborear o bater do vento
no aconchego dos nossos corações…