Talvez o outono…

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Se o outono soubesse
que o meu coração entristece,
tal como o dia escurece
e que o meu corpo rodopia
tal como o vento assobia,
talvez o outono quisesse
levar-me como uma folha
num voo que só ele conhece.

Se o outono soubesse
que a minha alma engrandece
sempre que o sol aparece,
e que a minha pele floresce
tal como a vida cresce,
talvez o outono pudesse
despir o olhar que esmorece
reavivar a memória que envelhece.

Entrego-me ao outono
como se ele soubesse
de mim… Talvez

Como um livro de poesia

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O corpo ainda se enrosca a dormitar
já as palavras começam a pestanejar,
cúmplices com a vontade de despertar
o olhar que se vai estender a outros olhares,
escutando o silêncio
com que a vida vem beijar
o dia que se inicia…

…Por entre as mãos voam segredos
que o tempo molda e acaricia,
e o dia abre-se à vida
como um livro de poesia.

Ao sabor do vento…

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A cortina abre-se
convidando o vento a entrar
a espreguiçar-se no meu acordar
a inspirar a ingenuidade da alma
e a decifrar a nudez do corpo
que respira cada movimento
como se a pele fosse abrigo
de todas as sensações…

A cortina abre-se
rodopiando na janela entreaberta
o ar pousa em todos os sentidos
acentua-se a vontade de te ver chegar
de saborear o bater do vento
no aconchego dos nossos corações…

Somos olhares…

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Só quando me vejo nos teus olhos,
sinto a pacatez do tempo.
Imagino as horas rendilhadas,
o largar dos fios
que outrora as mantiveram apressadas.

Encontro agora no nosso olhar
o vagar com que tecemos o tempo,
o entrelaçar das nossas mãos
no retrato que une todas as pontas
costuradas entre os dias
em que os corpos vão envelhecendo,
sem deixar o tempo suspender
o abrigo que acolhe a arte de viver.

Somos olhares …

De mim … para mim

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Esqueci-me de mim,
estou à deriva.
Sou empurrada pelo coração
que bate para não ficar órfão.
Não quer ser levado pela maré,
nem deixar o meu corpo afogar
entre as margens.
Sem rumo,
sente medo de ter de aprender
a viver dentro de outro ser.

Não me deixa partir.
Segura-me entre as suas veias
até a minha pele voltar a acordar
e eu,
de mim, me lembrar…

 

… Um presente …

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 A vida é um presente
oferecido neste instante.
Porquê abri-lo mais adiante?

O dia acordara cedo
com um toque de palidez
talvez um pouco cansado,
mas disposto a abrir o olhar
deixar o sol entrar,
sentir o orvalho a desaparecer
por entre as flores se esconder
e saborear a natureza a amanhecer.

A vida respira esta fragrância,
agarra os dias sem os deixar fugir
sacode a poeira que assenta nos ombros,
cria asas e entrega-se a viver.

Abraço

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Quando o meu coração toca no teu
bate satisfeito contra o teu peito,
traz o teu amor para junto do meu
colhe, no aconchego dos teus braços,
espaço para te oferecer os meus.

Vestimos os corpos de histórias
e, neste silêncio,
apenas cabe no olhar
a vontade de te abraçar.