Fragmento de momentos

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Já vivi momentos que não senti
Já desejei viver o que nunca vivi
Já carreguei sentimentos
Que de tão pesados
Foram descarregados
Em lamentos.
Já senti a sociedade
Prender-me a liberdade
Pelo limite de igualdade
Que colide com a realidade.
Já amei um amor
Com todo o meu fulgor
Depositei nele a minha essência
Que não foi suficiente
Para cobrir a metade ausente.
Já conheci gente
Que ainda hoje reconheço
Que desconheço.
Não uso armas de cobardia
Não sou heroína em hipocrisia
Não sou um muro de lamentações
Das minhas lamentações.
Relato emoções
Eco de reflexões
Fragmento de momentos….

Quem somos?

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Tantas vezes olhamos
Sem ver
Tantas vezes falamos
Sem nada dizer
Tantas vezes tocamos
Sem sentir
Outras vezes escutamos
Sem nada ouvir
Será por conveniência
Ou por falta de essência?

Somos nacos da mesma carne
Seres semelhantes
No nascer e no morrer
Inconstantes
No modo de ser
Viajantes
Com vontade de conhecer
Aprendizes constantes
Da arte de viver.

Somos seres intolerantes
Que nos tornamos distantes
Do valor dos afetos
Somos errantes inquietos
Apenas desejamos ter
Para enaltecer
O que nos falta no ser
Será por conveniência
Ou por falta de essência?

Não somos todos iguais
Somos todos humanos
Uns quantos se tornam banais
Por serem tão artificiais
Vazios e ausentes
Acreditam que são diferentes
Despejam sentimentos
Desperdiçam momentos
Seres meramente superficiais.

Será gente?

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Há gente que vive da gente
Seres com muito pouco ser
Incapazes de traçar uma linha coerente
Julgam-se detentores do poder.

Convincentes da verdade que mentem
Olhar reduzido ao próprio umbigo
Veem nos outros algo que não sentem
Exibem-se como sendo o próprio inimigo.

Espantam os fantasmas lavando o rosto
Afogam na água que escorre pela identidade
Ressaltam os contornos vincados de desgosto
Hibernados na concha que esconde a personalidade.

Acorrentados ao delírio momentâneo do prazer
Saboreiam a cobardia de olhos vendados
Tal é o estilhaçar do espelho pelo falso parecer
Reduzidos ao espaço onde vivem camuflados.

Identidade

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Sem sentido nas palavras
Sem rumor de movimento
Dou comigo deslumbrada
No meio da encruzilhada
Por cada rima pronunciada.
Perdida no meu labirinto
Nas amarras que encontro em cada verso
Fascinada neste mundo faminto
Aos poemas que me prendem a este universo.
Com identidade suspeita
Por não pertencer a nenhuma seita
Rendo-me à arte de criar em liberdade
De dar asas a esta minha vontade
Que foge para além da realidade.
Algo voa intensamente no meu pensamento
Sinto cada palavra como um momento
Agarro no papel com afinco e alento
E transporto de dentro para fora de mim
A voz que habita na minha essência.
Mostro o espelhar da minha alma
A moldura da minha aparência
O silêncio dos poemas que acalma
E ilumina a minha existência.

Ser

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Na incerteza de estar certa serei breve
As palavras foram caindo ao de leve
O sonho foi-se perdendo de mim
A alma desprendeu-se do corpo sem fim.

O sentimento baloiça desorientado
Tal como o sentido desalinhado
Não aprendi a ser o que não sou
A fingir o que sinto e onde estou.

O pensamento refugia-se na essência
Na verdade que mora na minha consciência
Nada mais me importa que a identidade
Do ser que desperta em mim felicidade.

Em desalinho

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Já não sei o que sinto
Já não sei o que é sentir
Tenho as mãos vazias
O corpo preso à dormência
A dor que se apodera da minha existência.

Vagueio por um caminho já extinto
Perdida e em desalinho
Tenho o medo como companhia
O corpo rendido a uma falsa calma
Que me faz adormecer a alma.

Já nada me importa
Não sei se alguma vez me importei
Tenho o coração a sangrar
O corpo sem força de existir
A falência dos sentidos que me faz desistir.

Solidão

campoDa janela do meu quarto
Vejo os campos em flor
As árvores a crescer
O entristecer do entardecer
Quando o sol teima em desaparecer.
Da janela do meu quarto
Sinto uma réstia de luz a entrar
Num corpo sonâmbulo a vaguear
Entre o crepúsculo e o falso acordar.
Tudo se perde na escuridão da noite
Da janela do meu quarto
Já não vejo as árvores e os campos em flor
Apenas um vazio que ecoa a dor
Num silêncio e escuro perturbador.
Fecho os olhos e alimento a ilusão
De não sentir a presença da solidão
A sombra que a tua ausência deixa mim
Impaciente para que esta noite chegue ao fim.

O que importa…

baloiçoO que importa ter o chão
Se não tens como o pisar
O que importa ter o céu
Se não há estrelas a brilhar
O que importa ter o mar
Se não o sabes admirar
O que importa sentir amor
Se não tens com quem o partilhar
O que importa ter
Se não sabes dar
O que importa voar
Se não sabes sonhar
O que importa viver
Se não sabes ser
O que importa é saber
Viver.

Perfil

Abri a minha caixa de Pandora…

Para mim tem um significado especial, não pretendo lançar nada de mal ao mundo, apenas partilhar o prazer que sinto pela escrita.

…não sou mais do que aquilo que vês em mim,
se gostas do que vês, então faz-me sabe-lo…